Fotos | Fábio Nagel
Qual o instrumento preferido de Régis Marques, do Grupo Rodeio? Se tu de bate pronto respondeu gaita, errou longe! O compositor de “Sorta Cavalo”, - “trago a poeira troteada a cavalo dos ventanas que domei...” gosta mesmo é de guitarra. E gosta também de sentir "a poeira troteada" montado no lombo de sua Suzuki 750 estrada à fora.
Grito de Liberdade - Grupo Rodeio
Mas antes de tudo, essa história começa com pedidos de emprego de office boy em várias empresas - "eu tentei trabalhar em outra atividade quando tinha uns 13 anos. Larguei currículos em vários lugares, mas nunca consegui um emprego! Na época eu nem me dei conta do porquê minha mãe sempre perguntava onde eu tinha ido. É que depois ela ligava para as empresas dizendo para não me chamarem porque ela queria que eu fosse músico!!!
Com vocês algumas histórias do músico Régis Marques. E agradeçam a dona Gessi! A mãe!
Régis - Quando eu tinha meus 3 anos de idade, meu tio tinha uma banda de rock e eles ensaiavam num galpãozinho que era colado no meu quarto, então eu acordava ao som da guitarra. Eles ensaiavam das 8 da manhã às 6 da tarde!!!! Aprendi ouvindo eles que eram músicos profissionais.
Com essa idade eu já ia nos bailes do meu tio e cantava músicas do Michael Jackson . Com 6 ou 7 anos eu comecei a aprender a tocar guitarra e fazia umas "basezinhas" nas apresentações da banda. Daí fui guitarrista até os 15. Depois larguei a guitarra porque eu queria fazer um grupo gaudério e como era muito difícil conseguir um gaiteiro, então a saída foi largar a guitarra, comprar um acordeon e aprender a tocar! Mas o instrumento que eu mais gosto de tocar é guitarra!
A bagagem artística de Régis inclui trabalhos com os principais artistas da música nativista. Em 83 o Rodeio já existia, mas Régis tocava também com o Tertúlia, grupo de São Leopoldo que fazia bastante sucesso na região do Vale dos Sinos e participava de festivais tocando com César Passarinho, Eraci Rocha, Zé Claudio Machado, João Chagas Leite... Como compositor foi premiado em diversos festivais como o Ronco do Bugio, de São Chico e a Ciranda, de Taquara. Também participou de gravações em diversos discos de Leonardo e do Gaúcho da Fronteira.
"E tive a felicidade de participar por 4 meses de Os Mirins, tocando ao lado do mestre Albine Manique. Graças a Deus eu sempre fui rodeado de muitos amigos e tudo que aconteceu de bom pra mim e para o Grupo Rodeio se deve ao carinho que esses amigos tiveram pela gente".

Durante vários anos Régis trabalhou na ACIT produzindo e participando de discos de diversos artistas da gravadora. "Em estúdio eu gravava sempre violões. Na verdade vários instrumentos, baixo, bateria, teclado, acordeon... para fazer uma produção legal a gente tem que saber de tudo um pouco!"
O Grupo Rodeio já tinha 4 discos quando foi convidado pela Acit fazer parte do casting da gravadora e lançar um LP. É a partir deste momento que Régis, de músico de talento reconhecidíssimo dá um passo a frente e passa a ser o vocalista do grupo.
"O fato de eu virar cantor do Grupo Rodeio aconteceu porque na semana que nós iríamos gravar o nosso primeiro disco na Acit, o cantor se desentendeu com um colega da banda e saiu do grupo.
Como todas as músicas eram de minha autoria e de última hora não tinhamos a quem recorrer, porque colocar um cantor que não tivesse identificação com nosso trabalho não iria dar certo, então eu mesmo disse para os meus colegas - eu canto!
Todo mundo estranhou né! Disseram - Régis, tu não é cantor, tu é gaiteiro, conhecido, renomado, as pessoas curtem te ver tocar, mas cantar já é outra coisa! Mas eu disse, - se alguém na banda quiser cantar....
Foi assim que me tornei cantor. De cara a música que a gente gravou - Meu Medo - fez sucesso e com isso eu me encorajei pra seguir adiante. Mas a gente sabe que realmente a técnica é pra poucos, mas a nossa simplicidade de interpretar está ali e é uma marca, uma característica no sucesso do grupo."
Meu Medo - Grupo Rodeio
vídeo com a música DEUS GAÚCHO
As preferências musicais de Régis são as mais improváveis. Misturam Bee Gees e Queen com Gildo de Freitas e Teixeirinha. Os dois últimos "pela simplicidade e pelo fato de remeter ao tempo em que as músicas eram gravadas com todos os artistas tocando junto no estúdio. Era tudo na marra, todo mundo tocando junto, gravando direto e se um errava todos tinham que tocar de novo a mesma música. Eu ainda peguei esse tempo!
E Gosto de escutar MPB também, porque é rica em harmonias...gosto de César Oliveira e Rogério Melo, gosto do Marenco..."
Mas as referências são - "o mestre Albino Manique, Abelar Bertucci, Edson Dutra, Luiz Carlos Borges e Renato Borghetti".
As influências vão além, são músicas dos anos 60,70,80 , "música popular mundial, rock...é o que eu escuto, inclusive é por isso que minhas músicas não tem necessariamente uma identificação melódica com o cotidiano gaúcho. As minhas melodias caminham por outros acordes. Mas nossa poesia, essa sim é bem gaúcha e nela eu gosto de falar da história do Rio Grande. Por isso o Grupo Rodeio não é nem gaúcho demais e nem Tchê Music".
O Rodeio faz uma média de 20, 24 shows e bailes por mês. De quarta a domingo o grupo está na estrada. Mais de 90% da agenda é de apresentações fora do RS, em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso.
"Rodamos uma média de 4 a 5 mil quilômetros por semana tomando mate - mais de 6 quilos de erva - , contando causo e dando muita risada. Essa é a nossa rotina na estrada. E no Rio Grande nos chamam mesmo pra tocar é no mês de setembro, na semana Farroupilha!"
Abram Cancha Pro Rio Grande - Grupo Rodeio







