sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Régis Marques | Entrevista

Reportagem | Soraia Zimmermann
Fotos | Fábio Nagel


Qual o instrumento preferido de Régis Marques, do Grupo Rodeio? Se tu de bate pronto respondeu gaita, errou longe! O compositor de “Sorta Cavalo”, - “trago a poeira troteada a cavalo dos ventanas que domei...” gosta mesmo é de guitarra. E gosta também de sentir "a poeira troteada" montado no lombo de sua Suzuki 750 estrada à fora.

Grito de Liberdade - Grupo Rodeio









Mas antes de tudo, essa história começa com pedidos de emprego de office boy em várias empresas - "eu tentei trabalhar em outra atividade quando tinha uns 13 anos. Larguei currículos em vários lugares, mas nunca consegui um emprego! Na época eu nem me dei conta do porquê minha mãe sempre perguntava onde eu tinha ido.
É que depois ela ligava para as empresas dizendo para não me chamarem porque ela queria que eu fosse músico!!!

Com vocês algumas histórias do músico Régis Marques. E agradeçam a dona Gessi! A mãe!


Régis - Quando eu tinha meus 3 anos de idade, meu tio tinha uma banda de rock e eles ensaiavam num galpãozinho que era colado no meu quarto, então eu acordava ao som da guitarra. Eles ensaiavam das 8 da manhã às 6 da tarde!!!! Aprendi ouvindo eles que eram músicos profissionais.
Com essa idade eu já ia nos bailes do meu tio e cantava músicas do Michael Jackson . Com 6 ou 7 anos eu comecei a aprender a tocar guitarra e fazia umas "basezinhas" nas apresentações da banda. Daí fui guitarrista até os 15. Depois larguei a guitarra porque eu queria fazer um grupo gaudério e como era muito difícil conseguir um gaiteiro, então a saída foi largar a guitarra, comprar um acordeon e aprender a tocar! Mas o instrumento que eu mais gosto de tocar é guitarra!

A bagagem artística de Régis inclui trabalhos com os principais artistas da música nativista. Em 83 o Rodeio já existia, mas Régis tocava também com o Tertúlia, grupo de São Leopoldo que fazia bastante sucesso na região do Vale dos Sinos e participava de festivais tocando com César Passarinho, Eraci Rocha, Zé Claudio Machado, João Chagas Leite... Como compositor foi premiado em diversos festivais como o Ronco do Bugio, de São Chico e a Ciranda, de Taquara. Também participou de gravações em diversos discos de Leonardo e do Gaúcho da Fronteira.
"E tive a felicidade de participar por 4 meses de Os Mirins, tocando ao lado do mestre Albine Manique. Graças a Deus eu sempre fui rodeado de muitos amigos e tudo que aconteceu de bom pra mim e para o Grupo Rodeio se deve ao carinho que esses amigos tiveram pela gente".

Durante vários anos Régis trabalhou na ACIT produzindo e participando de discos de diversos artistas da gravadora. "Em estúdio eu gravava sempre violões. Na verdade vários instrumentos, baixo, bateria, teclado, acordeon... para fazer uma produção legal a gente tem que saber de tudo um pouco!"

O Grupo Rodeio já tinha 4 discos quando foi convidado pela Acit fazer parte do casting da gravadora e lançar um LP. É a partir deste momento que Régis, de músico de talento reconhecidíssimo dá um passo a frente e passa a ser o vocalista do grupo.
"O fato de eu virar cantor do Grupo Rodeio aconteceu porque na semana que nós iríamos gravar o nosso primeiro disco na Acit, o cantor se desentendeu com um colega da banda e saiu do grupo.
Como todas as músicas eram de minha autoria e de última hora não tinhamos a quem recorrer, porque colocar um cantor que não tivesse identificação com nosso trabalho não iria dar certo, então eu mesmo disse para os meus colegas - eu canto!
Todo mundo estranhou né! Disseram - Régis, tu não é cantor, tu é gaiteiro, conhecido, renomado, as pessoas curtem te ver tocar, mas cantar já é outra coisa! Mas eu disse, - se alguém na banda quiser cantar....
Foi assim que me tornei cantor. De cara a música que a gente gravou - Meu Medo - fez sucesso e com isso eu me encorajei pra seguir adiante. Mas a gente sabe que realmente a técnica é pra poucos, mas a nossa simplicidade de interpretar está ali e é uma marca, uma característica no sucesso do grupo."

Meu Medo - Grupo Rodeio









vídeo com a música DEUS GAÚCHO

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As preferências musicais de Régis são as mais improváveis. Misturam Bee Gees e Queen com Gildo de Freitas e Teixeirinha. Os dois últimos "pela simplicidade e pelo fato de remeter ao tempo em que as músicas eram gravadas com todos os artistas tocando junto no estúdio. Era tudo na marra, todo mundo tocando junto, gravando direto e se um errava todos tinham que tocar de novo a mesma música. Eu ainda peguei esse tempo!
E Gosto de escutar MPB também, porque é rica em harmonias...gosto de César Oliveira e Rogério Melo, gosto do Marenco..."

Mas as referências são - "o mestre Albino Manique, Abelar Bertucci, Edson Dutra, Luiz Carlos Borges e Renato Borghetti".
As influências vão além, são músicas dos anos 60,70,80 , "música popular mundial, rock...é o que eu escuto, inclusive é por isso que minhas músicas não tem necessariamente uma identificação melódica com o cotidiano gaúcho. As minhas melodias caminham por outros acordes. Mas nossa poesia, essa sim é bem gaúcha e nela eu gosto de falar da história do Rio Grande. Por isso o Grupo Rodeio não é nem gaúcho demais e nem Tchê Music".

O Rodeio faz uma média de 20, 24 shows e bailes por mês. De quarta a domingo o grupo está na estrada. Mais de 90% da agenda é de apresentações fora do RS, em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso.
"Rodamos uma média de 4 a 5 mil quilômetros por semana tomando mate - mais de 6 quilos de erva - , contando causo e dando muita risada. Essa é a nossa rotina na estrada. E no Rio Grande nos chamam mesmo pra tocar é no mês de setembro, na semana Farroupilha!"



Abram Cancha Pro Rio Grande - Grupo Rodeio







quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

João de Almeida Neto | Vídeo Exclusivo

Vídeo exclusivo de João de Almeida Neto
Música: Guitarreio Para Um Guitarrista

Gravado em Uruguaiana, na região do Toropasso, localidade onde João de Almeida Neto nasceu.


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Faça o download deste vídeo clicando AQUI

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Matheus Leal | Perfil

O INICIO
Eu cantava no coral do colégio, em São Gabriel. Participei de um festival estudantil, incentivado pela professora. Eu pensei uma música do Roberto Carlos pra cantar, foi “Como Vai Você” se não me engano, aí meu pai disse, - não , pega uma música nativista! Mas eu fiquei relutante, até então não tinha muitas referências das músicas regionais e ele disse, - vamos na Estância da Canção Gaúcha (festival nativista de São Gabriel) esse ano pra ti ouvir umas músicas, ver como é que é.
Quando o Estância aconteceu, a primeira música que eu vi foi uma interpretada por Adriano Gomes, - eu achei lindo, um show de interpretação. A segunda música foi com o Marcelo Oliveira, linda também. Aí eu disse, é isso que eu quero fazer!!!

Aí eu tirei aquela música “Assiluetando os Cavalos, do Adriano Gomes com o Gujo Teixeira , “Estou a Cavalo” ...daí decidi cantar essa música.
Mas meu pai disse, pega uma música mais antiga, da Califórnia. Meu pai me mostrou “Pealo de Sangue”, do Raul Elwanger. Daí ensaiei bem , cantei no tal festival estudantil indicado pela professora, mas não deu em nada.
Daí pensei, não quero mais isso e parei até com o coral. Larguei tudo! Mas nesta época eu era literalmente uma criança ainda.

A VITÓRIA NO "PIXURUM", DE ROSÁRIO
Dois anos depois - naqueles festivais de CTGs – eu resolvi voltar, cantei Veterano e vi que aquela levada tinha a ver comigo, - eu tinha 11 anos de idade!
Aí fui a Rosário cantar no Pixurum e ganhei!!! Fui me empolgando nesses festivais. Fui no Canto Moleque, fui na Gauderiada Mirim, - ganhei a Gauderiada Mirim também!
Aí comecei a tocar violão, eu pegava aqueles livrinhos de cifras e o interesse pela música gaúcha foi crescendo cada vez mais.

AS REFERÊNCIAS
Minhas referências são Adriano Gomes que é um cara que eu admiro muito e hoje eu tenho a honra de ser amigo dele e outro é Marcelo Oliveira.

Escute Alma de Juá Florido
com Matheus Leal e Marcelo Oliveira










A MÚSICA COMO PROFISSÃO
Em 2004 foi a primeira vez que subi num palco profissionalmente, no Canto Sem Fronteira, um festival de Bagé. A letra do Alex Silveira e música do Rogério Melo.
É que um ano antes, em 2003, o Alex me viu cantando e me convidou pra participar de um disco dele. Quando eles passaram a música em Bagé, me convidaram pra interpretar. Neste festival a música tirou 3º lugar e eu ganhei melhor intérprete.

AS PRIMEIRAS COMPOSIÇÕES
Depois disso eu resolvi a começar a fazer músicas. Passei minha primeira música na Vigília , duas na verdade e no festival fui premiado como melhor intérprete. Depois fui a Dom Pedrito com duas músicas minhas também – uma delas chama-se Meu Poncho, com letra de Alex Silveira. Aí foi uma seqüência de festivais que eu fui participando.

Escute Meu Poncho, com Matheus Leal









Depois foi o Carlos Madruga que me ligou dizendo que havia passado uma música no Martin Fierro e queria que eu interpretasse. Para mim foi uma honra, considero o Madruga um dos melhores melodistas que tem. Aí fomos para o festival e numa entrevista que uma rádio fez com o Carlos Madruga ele disse, “desde o falecimento do Passarinho eu tinha perdido um dos principais intérpretes do meu gosto, mas agora encontrei o Mateus Leal” – imagina só o que foi pra mim ouvir isso - foi uma alegria imensa!!!!



A trupe do Apaisanado

Matéria publicada originalmente na edição impressa da S/F

Ainda no colégio Lauro Ghiggi [direita] costumava rabiscar trechos de letras rock e de músicas gaúcha nas classes das salas de aula. Em 2003 a aula acabou, Lauro terminou o segundo grau e criou um blog para continuar rabiscando. Assim nasceu o APAISANADO.

Com o tempo o blog passou a ganhar conteúdo trazendo informações sobre triagens e resultados de festivais nativistas e dicas de shows e eventos relacionados à cultura do RS. Também ganhou duas colaboradoras – as irmãs Eliana [ao centro] e Luciana Mertins [esquerda].

O blog não chega a ter um efetivo compromisso em estar em todos os eventos, a verba para sustentar as idas do trio aos festivais em busca de informações vem de paitrocínios – “nosso pais, sempre que podem nos levam em alguns festivais e o Lauro chega a negociar com a família dele a troca de presentes de aniversário, páscoa e natal por idas aos eventos, diz Luciana.

A gente faz o Apaisanado por paixão pela nossa música,pela nossa cultura e por divertimento também, mas o blog poderia trazer muito mais informações se os organizadores dos festivias colaborassem nos enviando por email os resultados de triagens e finais, arremata Lauro.

Link: Blog Apaisanado

sábado, 17 de janeiro de 2009

Alfredo Zitarrosa

Este 17 de janeiro de 2009 marca os 20 anos da morte de um dos mais importantes artistas da música latino-americana, Alfredo Zitarrosa, referência para vários intérpretes de nossa música gaúcha, entre eles Luiz Marenco e João de Almeida Neto.

Nascido em Montevidéo/Uruguai, em 10 de março de 1936, Alfredo viveu um período com pais adotivos. Na adolescência costumava ir com esta sua família para o interior do País, para a zona rural uruguaia, e vem daí - da música campesina - sua influência.
Tempos depois Alfredo foi "readotado" por sua mãe biológica e pelo padrastro chamado Alfredo Zitarrosa. Foi dele que herdou o sobrenome artístico.

Alfredo Zitarrosa - Dona Soledad









Sua militância de esquerda fez com que sua música fosse proibida no Uruguay a partir de 71, fato que se consolidou de vez durante a ditadura militar uruguaia, em 73. Foi para Argentina, onde teve também que sair pelo mesmo motivo e exilou-se na Espanha.

Só retornaria ao Uruguay em 31 de março de 1984 quando foi recebido em Montevidéu quando foi aclamado por uma multidão que parou a cidade. Zitarrosa definiu esse dia como “la experiência más importante de mi vida”.

Alfredo Zitarrosa - Los Hermanos